II Encontros Ex-cêntricos 2026:
Ler Teatro
II Encontros Ex-cêntricos 2026:
Ler Teatro
26 e 27 de fevereiro de 2026
Universidade Federal do Acre
Cruzeiro do Sul - Campus Floresta
O grupo de pesquisa Estudos do Teatro Ex-cêntrico - ETEx (CNPq/UFAC) tem a satisfação de anunciar a realização do II Encontros Ex-cêntricos: Ler Teatro, atividade do projeto Ler teatro e reler o teatro brasileiro (Chamada Universal CNPq 408957/2023-9). O evento é gratuito e ocorrerá presencialmente, no Campus Floresta da Universidade Federal do Acre, de 26 a 27 de fevereiro de 2026, aberto a estudantes de graduação, pós-graduação, pós-doutorandos e docentes.
MINICURSOS
Link do Formulário para Inscrição: em breve
Todos os minicursos serão oferecidos no dia 26 de fevereiro
Clique no título para ver mais detalhes de cada minicurso
11:00 - 13:00
Para além dos palcos e holofotes: práticas de leitura e análise descolonizadoras da obra shakespereana A tempestade
MINISTRADO POR MARCELO ZABOETZKI
Em sua obra “Cultura e Imperialismo” Edward Said (2011) nos convida a ler não apenas os grandes textos canônicos, mas também, todo o arquivo da cultura europeia e americana pré-moderna, no sentido de nos esforçarmos para extrair, estender, enfatizar e dar voz ao que está calado, ou marginalmente presente ou ideologicamente representado. É nesta perspectiva, na proposição do minicurso, que intentamos a partir de um exercício de leitura/releitura no âmbito da linguagem perceber como narrativas presentes na obra “A tempestade” do escritor e dramaturgo inglês William Shakespeare corroboram para a composição de um acervo de contra discurso e embate às práticas colonizadoras e imperialistas tecidas discursivamente. Para alcançarmos este objetivo, apresentaremos alguns dos pressupostos teóricos que norteiam a teoria e crítica Pós-colonial de análise do discurso, em particular as contribuições de Edward Said, Mary Pratt e Franz Fanon. Contribuem ainda com nossa proposição de análise a contraponto os teóricos dos Estudos Culturais: Hommi Bhabha, Paul Gilroy e Stuart Hall. A partir desse arcabouço teórico, e reflexões críticas de Thomas Bonnici (2012), adentramos a obra de Shakespeare para analisarmos os aspectos referentes ao encontro entre a mentalidade europeia e o Novo Mundo representados ficcionalmente. Nossa leitura-análise busca apontar indícios de como “A tempestade” gira em torno dos pressupostos de invasão, império e alteridade para elucidar o relacionamento colônia-metrópole como paradigma do posterior empenho e radical esforço de colonização, característicos das potências europeias, especialmente da Inglaterra. Consideramos o convite para lermos em contraponto, proposto por Edward Said (2011), tão importante quanto o exercício de escrita de contraponto. Desta forma, os discursos aqui postos à análise podem ser interpretados como forma de manifestação social e prática contra discursiva, e contracultura, de embate às práticas hegemônicas, excludentes e de dominação impostas às camadas menos favorecidas e excluídas.
11:00 - 13:00
Definições e fraturas da forma e do conteúdo dramático nos universos da Broadway, Off-Broadway e Off-Off-Broadway
MINISTRADO POR ESTHER MARINHO SANTANA
Este minicurso propõe uma aproximação do teatro dos Estados Unidos pela exploração dos desenvolvimentos e irradiações da cena nova-iorquina ao longo do século XX. Da lógica hegemônica da Broadway às disrupções eclodidas na Off-Broadway e na Off-Off-Broadway a partir da década de 1950, dramaturgos, diretores e intérpretes moldaram e subverteram tendências temáticas, códigos estéticos, imperativos comerciais e a própria essência da experiência espectatorial. Por meio da leitura de trechos de Cat on a Hot Tin Roof/ Gata em teto de zinco quente (1955), de Tennessee Williams, The American Dream (1961), de Edward Albee, e Fefu and Her Friends (1977), de Maria Irene Fornés, analisaremos a representação de conteúdos afins, como a instituição familiar, a identidade dos sujeitos e as figurações do desejo. Embora não tão distantes temporalmente, cada peça emerge de dinâmicas sociopolíticas, culturais e econômicas distintas, refletindo diferentes modos de produção. Ao afirmarem, negociarem ou rejeitarem paradigmas dominantes, tais obras nos instigam a examinar as complexas relações dos palcos estadunidenses com a sua sociedade. Os textos estarão em inglês, com subsídios em português para uma melhor compreensão.
14:00 - 16:00
O pretuguês em cena: linguagem e expressão em Os vivos, o morto e o peixe frito
MINISTRADO POR HELENA SANTOS DO NASCIMENTO
Este minicurso propõe explorar o Pretuguês — conceito desenvolvido por Lélia Gonzalez (1988) que valoriza a língua portuguesa em suas variações culturais, oralidade e criatividade — por meio da peça Os vivos, o morto e o peixe frito, de Ondjaki (2009). A prática inclui leituras dramatizadas, improvisações e jogos de linguagem, permitindo que os participantes experimentem a língua de forma lúdica, inventiva e crítica. A proposta se inspira em autores do teatro e da educação, como Augusto Boal (1998), que vê o teatro como instrumento de intervenção social, Eugenio Barba (2005), que valoriza a experimentação e a corporeidade, e Brecht (1998), que defende a reflexão crítica no palco. Inspirada nessas perspectivas, a atividade articula o Pretuguês de Gonzalez à linguagem cênica, buscando fortalecer a expressão oral, a criatividade e a percepção crítica dos participantes, evidenciando que o português pode ser vivido como instrumento de arte, cultura e interação social. Além disso, ao valorizar saberes, vozes e formas de expressão historicamente marginalizadas, o minicurso configura-se como uma metodologia de ensino antirracista, pois reconhece a legitimidade das matrizes africanas e afro-diaspóricas presentes na língua, na cultura e no teatro. Assim, propõe um espaço de aprendizagem que combate hierarquizações linguísticas e culturais, promovendo equidade, respeito à diversidade e afirmação identitária.
14:00 - 16:00
Dicção, leitura e ação cênica
MINISTRADO POR MARIA ALBERLANI MORAIS DE BRITO
Este minicurso propõe explorar o Pretuguês — conceito desenvolvido por Lélia Gonzalez (1988) que valoriza a língua portuguesa em suas variações culturais, oralidade e criatividade — por meio da peça Os vivos, o morto e o peixe frito, de Ondjaki (2009). A prática inclui leituras dramatizadas, improvisações e jogos de linguagem, permitindo que os participantes experimentem a língua de forma lúdica, inventiva e crítica. A proposta se inspira em autores do teatro e da educação, O minicurso Dicção, leitura e ação cênica é destinado ao público em geral, com especial atenção aos estudantes do curso de Letras – Espanhol do Campus Floresta, bem como a pessoas que possuam conhecimentos básicos da língua espanhola. Tem como objetivo principal o aprimoramento da oralidade em espanhol, a partir do desenvolvimento da expressão verbal e corporal. A proposta fundamenta-se na leitura, interpretação e encenação de textos teatrais, com ênfase na dicção, entonação, ritmo e ação dramática, elementos essenciais para a comunicação oral eficaz. A metodologia adotada apoia-se em exercícios de preparação vocal e respiratória inspirados nos estudos de Constantin Stanislavski, contribuindo para a ampliação da consciência corporal e vocal dos participantes durante o processo interpretativo. Como material de trabalho, serão utilizados recortes das obras La casa de Bernarda Alba e Bodas de sangre, de Federico García Lorca, reconhecidas pela riqueza linguística, estética e expressiva. O minicurso será organizado em três etapas. A primeira compreende atividades de aquecimento vocal, exercícios respiratórios e a prática de trava-línguas em língua espanhola. A segunda etapa consiste na realização de leituras orientadas e leituras encenadas, desenvolvidas em grupos. Por fim, a terceira etapa será dedicada a um debate reflexivo, promovendo a análise crítica das atividades realizadas e dos resultados obtidos no processo de aprendizagem da oralidade em espanhol. Augusto Boal (1998), que vê o teatro como instrumento de intervenção social, Eugenio Barba (2005), que valoriza a experimentação e a corporeidade, e Brecht (1998), que defende a reflexão crítica no palco. Inspirada nessas perspectivas, a atividade articula o Pretuguês de Gonzalez à linguagem cênica, buscando fortalecer a expressão oral, a criatividade e a percepção crítica dos participantes, evidenciando que o português pode ser vivido como instrumento de arte, cultura e interação social. Além disso, ao valorizar saberes, vozes e formas de expressão historicamente marginalizadas, o minicurso configura-se como uma metodologia de ensino antirracista, pois reconhece a legitimidade das matrizes africanas e afro-diaspóricas presentes na língua, na cultura e no teatro. Assim, propõe um espaço de aprendizagem que combate hierarquizações linguísticas e culturais, promovendo equidade, respeito à diversidade e afirmação identitária.
14:00 - 16:00
O teatro como ferramenta didática no contexto escolar
MINISTRADO POR MARIA CLARA GONÇALVES
O minicurso propõe uma reflexão acerca do teatro como instrumento pedagógico, ressaltando suas dimensões histórica, social e formativa. Ao compreendê-lo como prática cultural e veículo de produção e circulação de ideias, evidencia-se seu potencial na promoção da criticidade, da empatia e da participação cidadã. Nessa perspectiva, com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais e em estudos sobre o jogo dramático, articulam-se fundamentos teóricos e experimentações práticas. Desse entrelaçamento resultam propostas de atividades que mobilizam improvisação, expressão corporal e criação coletiva. Assim, busca-se oferecer subsídios teórico-metodológicos consistentes para a inserção qualificada do teatro no contexto escolar.
20:15 - 22:15
O pretuguês em cena: linguagem e expressão em Os vivos, o morto e o peixe frito
MINISTRADO POR HELENA SANTOS DO NASCIMENTO
Este minicurso propõe explorar o Pretuguês — conceito desenvolvido por Lélia Gonzalez (1988) que valoriza a língua portuguesa em suas variações culturais, oralidade e criatividade — por meio da peça Os vivos, o morto e o peixe frito, de Ondjaki (2009). A prática inclui leituras dramatizadas, improvisações e jogos de linguagem, permitindo que os participantes experimentem a língua de forma lúdica, inventiva e crítica. A proposta se inspira em autores do teatro e da educação, como Augusto Boal (1998), que vê o teatro como instrumento de intervenção social, Eugenio Barba (2005), que valoriza a experimentação e a corporeidade, e Brecht (1998), que defende a reflexão crítica no palco. Inspirada nessas perspectivas, a atividade articula o Pretuguês de Gonzalez à linguagem cênica, buscando fortalecer a expressão oral, a criatividade e a percepção crítica dos participantes, evidenciando que o português pode ser vivido como instrumento de arte, cultura e interação social. Além disso, ao valorizar saberes, vozes e formas de expressão historicamente marginalizadas, o minicurso configura-se como uma metodologia de ensino antirracista, pois reconhece a legitimidade das matrizes africanas e afro-diaspóricas presentes na língua, na cultura e no teatro. Assim, propõe um espaço de aprendizagem que combate hierarquizações linguísticas e culturais, promovendo equidade, respeito à diversidade e afirmação identitária.
20:15 - 22:15
Corpo, Palavra e Ação: apresentando a pedagogia e a estética do oprimido em Augusto Boal
MINISTRADO POR DINNE LEÃO
Este minicurso propõe uma introdução sensível ao universo de Augusto Boal, estabelecendo pontes entre a Pedagogia e a Estética do Oprimido. Através de uma metodologia dinâmica, o encontro articula breves exposições conceituais e registros audiovisuais à experimentação de jogos e da técnica do Teatro-Imagem. A partir da tríade ‘Corpo, Palavra e Ação’, busca-se despertar o pensamento simbólico e oferecer ferramentas que possibilitem a leitura crítica de opressões nos campos social e educacional. A oficina convida os estudantes a vivenciarem o teatro como um ensaio para a ação transformadora, fomentando a autonomia e a solidariedade.
20:15 - 22:15
Figurações do auto de fé no teatro de oposição à ditadura portuguesa
MINISTRADO POR ROBIN DRIVER
Este minicurso convida os participantes a explorarem o teatro político português do século XX por meio da leitura de trechos das peças Comunicação (1959), de Natália Correia, O Judeu (1966), de Bernardo Santareno, e Quem move as árvores (1970), de Fiama Hasse Pais Brandão. Escritas por dramaturgos que se opunham frontalmente ao regime ditatorial do Estado Novo português, as cenas selecionadas para análise apresentam todas figurações do Auto de Fé, espetáculo público de penitência instituído pelas Inquisições ibéricas a partir do século XV. Nesta perspectiva, o minicurso propõe discutir os modos diferentes com que os autores se inspiram do imaginário histórico acerca da Inquisição portuguesa e subvertem a lógica de performance do Auto de Fé para articularem as suas próprias críticas ao Estado Novo. Ao refletir acerca dessas cenas, o minicurso permitirá igualmente considerar as restrições que o regime salazarista impunha aos dramaturgos, bem como os movimentos artísticos europeus com que a cena portuguesa dialogava nesse período, tais como o teatro épico brechtiano e o Surrealismo.
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