II Encontros Ex-cêntricos 2026:
Ler Teatro
II Encontros Ex-cêntricos 2026:
Ler Teatro
26 e 27 de fevereiro de 2026
Universidade Federal do Acre
Cruzeiro do Sul - Campus Floresta
O II Encontros Ex-cêntricos: Ler Teatro, organizado pelo grupo de pesquisa Estudos do Teatro Ex-cêntrico - ETEx (CNPq/UFAC) ocorreu nos dias 26 e 27 de fevereiro de 2026. Essa ação fez parte do projeto Ler teatro e reler o teatro brasileiro (Chamada Universal CNPq 408957/2023-9). O evento foi gratuito e ocorreu presencialmente, no Campus Floresta da Universidade Federal do Acre. Participaram das atividades estudantes de graduação e pós-graduação da UFAC, bem como pós-doutorandos e docentes de demais universidades brasileiras.
Confira abaixo fotos do evento e detalhes da programação!
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
(Clique na data para ver os detalhes)
DIA 1
26 DE FEVEREIRO DE 2026
09h - 10h30: Abertura do Evento (Auditório Bloco C)
Cerimônia com representantes do Centro de Educação e Letras e da Universidade Federal do Acre
Mediação: Carlos Gontijo Rosa
Mesa-Redonda (Auditório Bloco C)
Historiografia teatral e dramaturgia: fontes, crítica e juízo estéticos
Com Maria Clara Gonçalves e Dinne Leão
10h30 - 11h: Intervalo
11h - 13h: Minicursos (Salas de Aula Bloco A)
Para além dos palcos e holofotes: práticas de leitura e análise descolonizadoras da obra shakespereana A tempestade - Ministrado por Marcelo Zaboetzki
Definições e fraturas da forma e do conteúdo dramáticos nos universos da Broadway, Off-Broadway e Off-Off-Broadway - Ministrado por Esther Marinho Santana
14h - 16h: Minicursos (Salas de Aula Bloco A)
O pretuguês em cena: linguagem e expressão em Os vivos, o morto e o peixe frito - Ministrado por Helena Santos do Nascimento
Dicção, leitura e ação cênica - Ministrado por Maria Alberlani Morais de Brito
O teatro como ferramenta didática no contexto escolar - Ministrado por Maria Clara Gonçalves
16h - 16h30: Intervalo
19h - 20h: Apresentação Artística (Quiosque - Campus Floresta)
Cadê a Banda?
Dramaturgia de Sky Wendel e Guilherme Fiesca
Produção e Realização por Coletivo Madame Mukura
Seguida de um bate-papo com os artistas mediado por Maria Clara Gonçalves
20h15 - 22h15: Minicursos (Salas de Aula Bloco A)
O pretuguês em cena: linguagem e expressão em Os vivos, o morto e o peixe frito - Ministrado por Helena Santos do Nascimento
Corpo, Palavra e Ação: apresentando a pedagogia e a estética do oprimido em Augusto Boal - Ministrado por Dinne Leão
Figurações do auto de fé no teatro de oposição à ditadura portuguesa - Ministrado por Robin Driver
DIA 2
27 DE FEVEREIRO DE 2026
9h - 11h: Mesa-Redonda (Auditório Bloco C)
Encontros entre Teatro e Saberes Indígenas
Aspectos estéticos e políticos do encontro entre linguagens, costumes e línguas nativas e não indígenas, no contexto da criação cênica
Com Viviana Coletty e Yubé Huni Kuī (Warderson)
Um teatro espiritado: cruzamentos entre Tendehar e Krenak
Com Maria José da Silva Morais Costa
Mediação: Dinne Leão
10h30 - 11h: Intervalo
11h - 12h30: Apresentação Artística (Cinemateca)
Deu a Louca na Compadecida
Grupo Sapecas
Seguida de um bate-papo com os artistas mediado por Esther Marinho Santana
13h30 - 14h45: Comunicações Orais (Salas de Aula Bloco A)
Sessão A
Oficinas em movimento: experimentações teatrais no IFAC - Helena Santos do Nascimento (UFAC)
Entre o Fundo do Mar e o Espelho: Identidade fragmentada em Antimemórias de uma Travessia Interrompida - Helena Santos do Nascimento (UFAC)
Mediação: Phelippe Celestino
Sessão B
Deu a Louca na Compadecida - uma baixaria armorial, um convite do Acre a Ariano - Viviana Coletty e Integrantes da Cia (UFAC)
Ela morre hoje? Diálogos sobre a construção coletiva de uma tragédia acreana contemporânea - Viviana Coletty e Carlos Rosa Gontijo (UFAC)
Mediação: Maria Clara Gonçalves
14h45 – 15h: Intervalo
15h – 16h: Apresentação Artística (Cinemateca)
Boneca Pretúnia
Com Luar Maria Fernandes Santos
Seguida de um bate-papo com a artista mediado por Robin Driver
16h15 – 17h15: Leitura Dramática (Auditório Bloco C)
Antimemórias de uma Travessia Interrompida, de Aldri Anunciação
Com Helena Santos do Nascimento
Seguida de um bate-papo com a artista mediado por Phelippe Celestino
17h30 – 19h: Mesa de Encerramento (Auditório Bloco C)
Caminhos para Ler e Reler Teatro
Com Esther Marinho Santana, Michel Ferreira dos Reis, Phelippe Celestino e Robin Driver
APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS
(Clique no título para ver mais detalhes de cada apresentação)
26/02
19:00
Cadê a Banda?
Dramaturgia de Sky Wendel e Guilherme Fiesca
Produção e Realização por Coletivo Madame Mukura
Cadê a Banda? é um espetáculo de teatro de rua musical que mistura palhaçaria, cantigas de roda, comicidade e poesia para falar, com delicadeza e humor, sobre a vida e seus encontros. Em cena, a chegada irreverente da Madame Mukura transforma o espaço cotidiano em um território de festa, memória e reflexão, convidando o público a “pintar as cores” da existência sem medo.
A partir da canção A Banda, de Chico Buarque, personagens aparentemente comuns (o Homem Sério, o Faroleiro, a Namorada, o Moço Triste, a Rosa, o Homem Velho e o Menino Triste) têm suas rotinas interrompidas pelo som da música. Cada um carrega solidões, saudades, sonhos interrompidos e afetos silenciados, que ganham voz quando a banda passa. O tempo desacelera, o riso surge, lembranças se abrem como flores, e a infância esquecida reaparece como possibilidade de recomeço.
Entre músicas, relatos e jogos cênicos, o espetáculo aborda temas profundos de forma acessível: o amor em suas múltiplas formas, o envelhecimento, a solidão urbana, as desigualdades sociais, a LGBTfobia, a relação com o meio ambiente e a dificuldade de sorrir em tempos marcados por conflitos e intolerância. Ao mesmo tempo, afirma a urgência de celebrar a vida, de criar laços e de manter acesa a chama da esperança.
Cadê a Banda? é um convite coletivo para lembrar que somos feitos de encontros e memórias, e que, mesmo quando a música parece acabar, ela pode continuar tocando dentro de nós, colorindo nossos caminhos e reafirmando o direito de viver, amar e sonhar.
27/02
11:00
Deu a Louca na Compadecida
Grupo Sapecas
Deu a Louca na Compadecida é uma releitura da obra O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, construída na disciplina Atuação I, dirigido por Viviana Coletty e pelo assistente de direção Helder Carlos Miranda. A montagem se passa no Acre, trazendo para a cena elementos da cultura local, da oralidade popular e das vivências do povo acreano.
O espetáculo propõe uma divertida adaptação acreana do clássico O Auto da Compadecida. Feito para rir, se emocionar e reconhecer traços da nossa cultura acreana, aproximando o público da narrativa por meio do humor, da crítica social e da sensibilidade popular. A história preserva a essência do texto original, mas recria situações e personagens dentro da realidade amazônica, destacando temas como fé, desigualdade social, esperteza popular e relações de poder.
A encenação valoriza o trabalho coletivo, o jogo cênico e a comicidade, buscando uma linguagem acessível e envolvente, capaz de dialogar com diferentes públicos e territórios.
27/02
15:00
Boneca Pretúnia
Por Luar Maria Fernandes dos Santos
Boneca Pretúnia é um experimento cênico criado e interpretado por Luar Maria Fernandes, atriz, travesti, preta e pesquisadora do curso de Teatro da Universidade Federal do Acre (UFAC). A obra nasce do cruzamento entre uma pesquisa de Iniciação Científica desenvolvida com apoio do CNPq, dedicada ao estudo dos estilos cômicos de atuação, e práticas laboratoriais no campo da criação e da direção cênica.
A partir da investigação da bufonaria, a artista transforma o riso em ferramenta crítica e política. Pretúnia emerge de sua caixa como uma boneca bufona que debocha, provoca e afirma sua existência, tensionando o preconceito, a hipocrisia social e os mecanismos de controle sobre corpos travestis. O humor ácido, o exagero e o grotesco são acionados como estratégias para expor feridas coletivas e deslocar o olhar do público.
A cena articula memórias individuais e coletivas, experiências corporais e jogos cômicos, criando uma dramaturgia organizada por imagens, ações e estados, mais do que por uma narrativa linear. Ao revisitar o termo “boneca”, recorrente na linguagem da comunidade LGBTQIA+, a obra o ressignifica como símbolo de potência, ironia e resistência.
O espetáculo integrou a programação do Sankofa – Mostra de Cenas Negras, promovido pela Universidade Estadual de Londrina (PR), em novembro de 2025, ampliando sua circulação e o diálogo com outras produções negras no campo das artes cênicas.
Boneca Pretúnia inscreve-se no campo das práticas cênicas contemporâneas e ex-cêntricas, afirmando o corpo dissidente como produtor de linguagem, pensamento e cena.
27/02
16:15
Leitura Dramática da peça Antimemórias de uma Travessia Interrompida, de Aldri Anunciação
Por Helena Santos do Nascimento
A obra escolhida se encontra em um não-lugar como parte da literatura afro-brasileira, invisibilizada diante da literatura eurocêntrica e do seu cânone literário que sufocam e silenciam a memória e a identidade afro-brasileira. A peça propõe uma “travessia interrompida” — isto é, uma narrativa não linear, fragmentada, onde memória e esquecimento se tensionam. A noção de “antimemória” sugere uma memória que vai contra o relato dominante ou hegemônico, que resiste ao apagamento. Diante disso, a partir da peça buscarei refletir sobre a crise identitária vivenciada por muitos brasileiros, que se encontram distantes das suas raízes culturais negras, mas submersos na cultura da hegemonia branca europeia. No contexto cênico da peça, isso é refletido, ao passo que a identidade é apresentada de forma líquida, por meio da mulher do fundo do mar, personagem principal, que não tem acesso a sua memória ancestral e então constrói sua identidade a partir das formas dos objetos que caem ao longo da sua trajetória-vida no fundo das águas, sendo assim submetida a uma identidade cultural imposta pela “história única”. Para mais, no decorrer da trama, a personagem depara-se com uma co-protagonista, a mulher do espelho, que surge como uma falsa versão da protagonista, evocando uma dimensão de alteridade e auto enfrentamento. Ao reconhecer-se no reflexo, a personagem não apenas acessa memórias esquecidas, mas questiona as artificialidades impostas pela “história única” dos objetos-memória que eram tudo que ele tinha. Ou seja, Aldri Anunciação através dessa personagem que vive no fundo do mar representa, por um lado, a invisibilidade social, e por outro, a possibilidade de uma memória resistente, que pode emergir na contemplação dos destroços do passado. Portanto, ao explorar essa peça em questão, convoco o espectador a refletir sobre os percalços para a construção das identidades negras que são sufocadas pela identidade europeia e pela marginalização da história e memória afro-brasileira.
MINICURSOS
Todos os minicursos foram oferecidos no dia 26 de fevereiro
Clique no título para ver mais detalhes de cada minicurso
11:00 - 13:00
Para além dos palcos e holofotes: práticas de leitura e análise descolonizadoras da obra shakespereana A tempestade
MINISTRADO POR MARCELO ZABOETZKI
Em sua obra Cultura e Imperialismo, Edward Said (2011) nos convida a ler não apenas os grandes textos canônicos, mas também, todo o arquivo da cultura europeia e americana pré-moderna, no sentido de nos esforçarmos para extrair, estender, enfatizar e dar voz ao que está calado, ou marginalmente presente ou ideologicamente representado. É nesta perspectiva, na proposição do minicurso, que intentamos a partir de um exercício de leitura/releitura no âmbito da linguagem perceber como narrativas presentes na obra A tempestade do escritor e dramaturgo inglês William Shakespeare corroboram para a composição de um acervo de contra discurso e embate às práticas colonizadoras e imperialistas tecidas discursivamente. Para alcançarmos este objetivo, apresentaremos alguns dos pressupostos teóricos que norteiam a teoria e crítica Pós-colonial de análise do discurso, em particular as contribuições de Edward Said, Mary Pratt e Franz Fanon. Contribuem ainda com nossa proposição de análise a contraponto os teóricos dos Estudos Culturais: Hommi Bhabha, Paul Gilroy e Stuart Hall. A partir desse arcabouço teórico, e reflexões críticas de Thomas Bonnici (2012), adentramos a obra de Shakespeare para analisarmos os aspectos referentes ao encontro entre a mentalidade europeia e o Novo Mundo representados ficcionalmente. Nossa leitura-análise busca apontar indícios de como A tempestade gira em torno dos pressupostos de invasão, império e alteridade para elucidar o relacionamento colônia-metrópole como paradigma do posterior empenho e radical esforço de colonização, característicos das potências europeias, especialmente da Inglaterra. Consideramos o convite para lermos em contraponto, proposto por Edward Said (2011), tão importante quanto o exercício de escrita de contraponto. Desta forma, os discursos aqui postos à análise podem ser interpretados como forma de manifestação social e prática contra discursiva, e contracultura, de embate às práticas hegemônicas, excludentes e de dominação impostas às camadas menos favorecidas e excluídas.
11:00 - 13:00
Definições e fraturas da forma e do conteúdo dramático nos universos da Broadway, Off-Broadway e Off-Off-Broadway
MINISTRADO POR ESTHER MARINHO SANTANA
Este minicurso propõe uma aproximação do teatro dos Estados Unidos pela exploração dos desenvolvimentos e irradiações da cena nova-iorquina ao longo do século XX. Da lógica hegemônica da Broadway às disrupções eclodidas na Off-Broadway e na Off-Off-Broadway a partir da década de 1950, dramaturgos, diretores e intérpretes moldaram e subverteram tendências temáticas, códigos estéticos, imperativos comerciais e a própria essência da experiência espectatorial. Por meio da leitura de trechos de Cat on a Hot Tin Roof/ Gata em teto de zinco quente (1955), de Tennessee Williams, The American Dream (1961), de Edward Albee, e Fefu and Her Friends (1977), de Maria Irene Fornés, analisaremos a representação de conteúdos afins, como a instituição familiar, a identidade dos sujeitos e as figurações do desejo. Embora não tão distantes temporalmente, cada peça emerge de dinâmicas sociopolíticas, culturais e econômicas distintas, refletindo diferentes modos de produção. Ao afirmarem, negociarem ou rejeitarem paradigmas dominantes, tais obras nos instigam a examinar as complexas relações dos palcos estadunidenses com a sua sociedade. Os textos estarão em inglês, com subsídios em português para uma melhor compreensão.
14:00 - 16:00
O pretuguês em cena: linguagem e expressão em Os vivos, o morto e o peixe frito
MINISTRADO POR HELENA SANTOS DO NASCIMENTO
Este minicurso propõe explorar o Pretuguês — conceito desenvolvido por Lélia Gonzalez (1988) que valoriza a língua portuguesa em suas variações culturais, oralidade e criatividade — por meio da peça Os vivos, o morto e o peixe frito, de Ondjaki (2009). A prática inclui leituras dramatizadas, improvisações e jogos de linguagem, permitindo que os participantes experimentem a língua de forma lúdica, inventiva e crítica. A proposta se inspira em autores do teatro e da educação, como Augusto Boal (1998), que vê o teatro como instrumento de intervenção social, Eugenio Barba (2005), que valoriza a experimentação e a corporeidade, e Brecht (1998), que defende a reflexão crítica no palco. Inspirada nessas perspectivas, a atividade articula o Pretuguês de Gonzalez à linguagem cênica, buscando fortalecer a expressão oral, a criatividade e a percepção crítica dos participantes, evidenciando que o português pode ser vivido como instrumento de arte, cultura e interação social. Além disso, ao valorizar saberes, vozes e formas de expressão historicamente marginalizadas, o minicurso configura-se como uma metodologia de ensino antirracista, pois reconhece a legitimidade das matrizes africanas e afro-diaspóricas presentes na língua, na cultura e no teatro. Assim, propõe um espaço de aprendizagem que combate hierarquizações linguísticas e culturais, promovendo equidade, respeito à diversidade e afirmação identitária.
14:00 - 16:00
Dicção, leitura e ação cênica
MINISTRADO POR MARIA ALBERLANI MORAIS DE BRITO
O minicurso Dicção, leitura e ação cênica é destinado ao público em geral, com especial atenção aos estudantes do curso de Letras – Espanhol do Campus Floresta, bem como a pessoas que possuam conhecimentos básicos da língua espanhola. Tem como objetivo principal o aprimoramento da oralidade em espanhol, a partir do desenvolvimento da expressão verbal e corporal. A proposta fundamenta-se na leitura, interpretação e encenação de textos teatrais, com ênfase na dicção, entonação, ritmo e ação dramática, elementos essenciais para a comunicação oral eficaz. A metodologia adotada apoia-se em exercícios de preparação vocal e respiratória inspirados nos estudos de Constantin Stanislavski, contribuindo para a ampliação da consciência corporal e vocal dos participantes durante o processo interpretativo. Como material de trabalho, serão utilizados recortes das obras La casa de Bernarda Alba e Bodas de sangre, de Federico García Lorca, reconhecidas pela riqueza linguística, estética e expressiva. O minicurso será organizado em três etapas. A primeira compreende atividades de aquecimento vocal, exercícios respiratórios e a prática de trava-línguas em língua espanhola. A segunda etapa consiste na realização de leituras orientadas e leituras encenadas, desenvolvidas em grupos. Por fim, a terceira etapa será dedicada a um debate reflexivo, promovendo a análise crítica das atividades realizadas e dos resultados obtidos no processo de aprendizagem da oralidade em espanhol.
14:00 - 16:00
O teatro como ferramenta didática no contexto escolar
MINISTRADO POR MARIA CLARA GONÇALVES
O minicurso propõe uma reflexão acerca do teatro como instrumento pedagógico, ressaltando suas dimensões histórica, social e formativa. Ao compreendê-lo como prática cultural e veículo de produção e circulação de ideias, evidencia-se seu potencial na promoção da criticidade, da empatia e da participação cidadã. Nessa perspectiva, com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais e em estudos sobre o jogo dramático, articulam-se fundamentos teóricos e experimentações práticas. Desse entrelaçamento resultam propostas de atividades que mobilizam improvisação, expressão corporal e criação coletiva. Assim, busca-se oferecer subsídios teórico-metodológicos consistentes para a inserção qualificada do teatro no contexto escolar.
20:15 - 22:15
O pretuguês em cena: linguagem e expressão em Os vivos, o morto e o peixe frito
MINISTRADO POR HELENA SANTOS DO NASCIMENTO
Este minicurso propõe explorar o Pretuguês — conceito desenvolvido por Lélia Gonzalez (1988) que valoriza a língua portuguesa em suas variações culturais, oralidade e criatividade — por meio da peça Os vivos, o morto e o peixe frito, de Ondjaki (2009). A prática inclui leituras dramatizadas, improvisações e jogos de linguagem, permitindo que os participantes experimentem a língua de forma lúdica, inventiva e crítica. A proposta se inspira em autores do teatro e da educação, como Augusto Boal (1998), que vê o teatro como instrumento de intervenção social, Eugenio Barba (2005), que valoriza a experimentação e a corporeidade, e Brecht (1998), que defende a reflexão crítica no palco. Inspirada nessas perspectivas, a atividade articula o Pretuguês de Gonzalez à linguagem cênica, buscando fortalecer a expressão oral, a criatividade e a percepção crítica dos participantes, evidenciando que o português pode ser vivido como instrumento de arte, cultura e interação social. Além disso, ao valorizar saberes, vozes e formas de expressão historicamente marginalizadas, o minicurso configura-se como uma metodologia de ensino antirracista, pois reconhece a legitimidade das matrizes africanas e afro-diaspóricas presentes na língua, na cultura e no teatro. Assim, propõe um espaço de aprendizagem que combate hierarquizações linguísticas e culturais, promovendo equidade, respeito à diversidade e afirmação identitária.
20:15 - 22:15
Corpo, Palavra e Ação: apresentando a pedagogia e a estética do oprimido em Augusto Boal
MINISTRADO POR DINNE LEÃO
Este minicurso propõe uma introdução sensível ao universo de Augusto Boal, estabelecendo pontes entre a Pedagogia e a Estética do Oprimido. Através de uma metodologia dinâmica, o encontro articula breves exposições conceituais e registros audiovisuais à experimentação de jogos e da técnica do Teatro-Imagem. A partir da tríade Corpo, Palavra e Ação, busca-se despertar o pensamento simbólico e oferecer ferramentas que possibilitem a leitura crítica de opressões nos campos social e educacional. A oficina convida os estudantes a vivenciarem o teatro como um ensaio para a ação transformadora, fomentando a autonomia e a solidariedade.
20:15 - 22:15
Figurações do auto de fé no teatro de oposição à ditadura portuguesa
MINISTRADO POR ROBIN DRIVER
Este minicurso convida os participantes a explorarem o teatro político português do século XX por meio da leitura de trechos das peças Comunicação (1959), de Natália Correia, O Judeu (1966), de Bernardo Santareno, e Quem move as árvores (1970), de Fiama Hasse Pais Brandão. Escritas por dramaturgos que se opunham frontalmente ao regime ditatorial do Estado Novo português, as cenas selecionadas para análise apresentam todas figurações do Auto de Fé, espetáculo público de penitência instituído pelas Inquisições ibéricas a partir do século XV. Nesta perspectiva, o minicurso propõe discutir os modos diferentes com que os autores se inspiram do imaginário histórico acerca da Inquisição portuguesa e subvertem a lógica de performance do Auto de Fé para articularem as suas próprias críticas ao Estado Novo. Ao refletir acerca dessas cenas, o minicurso permitirá igualmente considerar as restrições que o regime salazarista impunha aos dramaturgos, bem como os movimentos artísticos europeus com que a cena portuguesa dialogava nesse período, tais como o teatro épico brechtiano e o Surrealismo.
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